Mudança do perfil da P2 amplia incertezas para famílias, comércio e serviços em Tremembé e Potim
O anúncio do Governo de São Paulo de alterar o perfil da Penitenciária 2 de Tremembé — deixando de receber presos de grande repercussão nacional e direcionando parte desses detentos para a Penitenciária 2 de Potim e possivelmente para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos — trouxe à tona impactos que vão além do sistema prisional e alcançam famílias, comércios e serviços locais. As informações foram divulgadas por veículos que citaram a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), e dão conta de reações de parentes e autoridades locais.
Segundo levantamento do Jornalismo da Band, a mudança visa transformar Tremembé em unidade voltada ao regime semiaberto e deslocar presos de casos emblemáticos. A Penitenciária 2 de Potim foi apontada como destino principal. Reportagens também registraram que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) foi notificado e afirmou estar ciente da alteração, enquanto a SAP informou, conforme apurado, que não comenta movimentações por razões de segurança.
Na perspectiva das famílias, a medida gerou descontentamento e pedidos de apoio. Reportagens do Diário do Povo relatam que parentes de detentos se manifestaram em Potim e procuraram a Defensoria Pública. Em contato com a direção do complexo prisional, a Defensoria, segundo o mesmo veículo, não obteve retorno até o momento, o que aumentou a sensação de incerteza entre os familiares.
As reclamações registradas nas reportagens concentram-se em preocupações práticas: a necessidade de replanejar visitas, o aumento potencial de deslocamentos e custos para acompanhar processos e visitas, e a mudança na logística que envolve deslocamentos entre as cidades e eventuais novas rotinas de transporte. Essas apreensões foram mencionadas por familiares que se manifestaram diante das mudanças anunciadas, conforme as matérias consultadas.
Há também implicações econômicas potenciais para Tremembé. Matérias da Band e da Gazeta Brasil descrevem que a Penitenciária 2 de Tremembé abriga atividades produtivas — como oficinas de reforma de carteiras escolares, fábrica de fechaduras, produção de pastilhas desinfetantes e trabalhos artesanais — além de programas de educação e trabalho (como o Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania). A alteração do perfil da unidade para foco no regime semiaberto pode, na avaliação implícita nas reportagens, modificar a demanda por fornecedores locais e o volume de atividades que hoje geram renda direta ou indireta na cidade.
No caso de Potim, o Diário do Povo trouxe números que expõem tensões de capacidade: a reportagem citou capacidade oficial da penitenciária local em 1.063 vagas, com 1.439 detentos já abrigados, indicando sobrecarga. As matérias também registraram circulação de imagens nas redes sociais de caminhões transportando presos, sem confirmação oficial por parte da SAP, que manteve silêncio sobre movimentações específicas por motivos de segurança.
Os relatos públicos dão conta, ainda, de efeitos sobre serviços municipais. Embora as reportagens não apresentem dados consolidados sobre aumento de atendimentos, elas descrevem uma percepção de pressão sobre áreas como assistência social e a necessidade de interlocução com órgãos como a Defensoria Pública para orientar familiares. O TJ-SP informou que a administração penitenciária tem discricionariedade para transferências entre unidades sem necessidade de autorização judicial, o que limita o papel imediato do Judiciário na suspensão dessas movimentações, segundo as matérias consultadas.
Há discrepâncias factuais entre as reportagens que merecem ser destacadas: enquanto a Gazeta Brasil e a Band apresentam números diferentes sobre a capacidade da Penitenciária 2 de Tremembé (valores de 348 a 390 vagas aparecem nas matérias), o Diário do Povo aponta para superlotação em Potim com os números citados acima. Essas diferenças ressaltam a necessidade de acompanhamento institucional mais claro por parte da SAP para esclarecer impactos operacionais e socioeconômicos.
Até agora, não há registro público, nas reportagens consultadas, de ações coletivas formalizadas ou liminares ajuizadas por grupos de familiares em resposta às transferências — apenas pedidos de orientação e intervenções junto à Defensoria Pública. O cenário que emerge dos relatos é de uma mudança que transcende os muros do sistema prisional: altera rotinas de visita, levanta dúvidas sobre empregos vinculados às oficinas e programas da unidade e provoca pressão por esclarecimentos e suporte às famílias afetadas.
O desdobramento dessas transferências tende a depender de decisões internas da SAP e de respostas institucionais às demandas de familiares e municípios. As reportagens consultadas mostram que, no curto prazo, predominam a apreensão e a busca de canais oficiais de informação e apoio.